segunda-feira, 2 de junho de 2008

A imprensa toma partido

Por João José de Oliveira Negrão

As eleições para prefeitos e vereadores estão chegando. Os partidos se movimentam, as alianças começam a ganhar forma, nomes são lançados ao teste público para medirem sua viabilidade. Mas há uma força “partidária”, não legalmente organizada, que merece mais atenção por parte dos eleitores: a imprensa. Diferentes estudos, realizados por universidades paulistas, cariocas, mineiras, gaúchas e de fora do Brasil, têm demonstrado o peso que o jornalismo pode ter na decisão do voto.

Um dos mais recentes foi realizado pelo Doxa, Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública, ligado ao Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro). Organizado por Marcus Figueiredo e Alessandra Aldé, o estudo “Imprensa e Eleições Presidenciais: natureza e conseqüências da cobertura das eleições de 2002 e 2006” afirma que “os grandes jornais de circulação nacional, no Brasil [no caso a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo], adotam um híbrido entre dois modelos de pluralismo: formalmente, no discurso ético de autoqualificação diante dos leitores, procuram associar-se aos conceitos e rituais de objetividade do jornalismo americano, como é possível constatar nos slogans, diretrizes oficiais, manuais de redação, cursos de jornalismo. No entanto, na produção do impresso diário, o que vimos são diferenças no tratamento conferido aos candidatos, de amplificação de certos temas negativamente associados a Lula, contraposto à benevolência no tratamento de temas espinhosos relacionados a seus adversários”.

A cobertura da grande imprensa paulista dos casos do acidente na estação Pinheiros do metrô e da Alstom tem mostrado estes dois pesos e duas medidas: o governador Serra tem sido poupado. Ao contrário, qualquer problema no governo federal é logo e insistentemente associado a Lula.

Vamos tentar acompanhar neste blog, na medida das nossas parcas forças, o comportamento da imprensa local nas cidades da nossa região, para ver se tal postura se repete nas eleições para prefeitos e vereadores. Tanto quantitativamente – o espaço e o tempo dedicados aos diferentes candidatos – quanto qualitativamente – as coberturas positivas e negativas das suas atividades – deverão aparecer. Colaboradores e colaboradoras para esta empreitada serão bem vindos.

5 comentários:

val disse...

Agora poderei ler as escritas do João Negrão.

(Valdinei Queiroz)

jholl disse...

Não acredito que a imprensa tenha tanto poder de influenciar o (e) leitor sobre seu voto. É evidente que existe a tentativa, quando determinados veículos de comunicação optam por engrandecer certos candidatos e inferiorizar outros.
Entretanto, as pessoas convivem com a realidade e tem aprendido a separar o tratamento parcial que os jornais fazem em suas publicações do que podem analisar no seu dia a dia.
Isso pode de constatado no última eleição presidencial. Lula foi o mais “atacado” nos meios de comunicação, mas a realidade de milhões de pessoas foi decisiva na hora do voto. Eles levaram em conta o quanto as medidas tomadas por ele afetou suas vidas e não se deixaram levar pela propaganda contrária dos jornais.
Talvez por maturidade, talvez por comodismo com alguns programas do governo, talvez por medo de mudanças, mas o certo é que a realidade de cada pessoa teve peso maior do que qualquer intenção jornalística apresentada ao longo da campanha eleitoral.
Isso não significa que devemos deixar de prestar atenção no posturas desses veículos. Pelo contrário, temos a obrigação de estarmos atentos e nos posicionarmos contra o protecionismo ou o ataque descabido que, eventualmente possam ocorrer.

jholl disse...

Obs: No texto acima, onde se lê "no posturas", o correto é "na postura".
Perdoem a falta de atenção na hora de digitar!

Anderson Oliveira disse...

Como sempre a esquerda minimiza os problemas do Governo Lula e engrandece as desgraças ocorrentes em em governos tucanos ou democratas.
Lembro-me sempre da resposta de nosso "querido" presidente quando inquirido sobre o caixa 2 do PT nas eleições:
"Isso é uma prática comum, todos fazem"
Ah sim...está justificado então!

jholl disse...

E lá vamos nós de novo. Ficaremos sempre limitados a essa conversinha de esquerda e direita? Não será o mundo, a política, os problemas ou seja lá mais o que for, bem maior do que a demagogia que se faz valer aqueles que tomam posição - esquerda ou direita - dessa maneira?