quarta-feira, 28 de maio de 2008

O jornalista e suas fontes

Por João José Negrão

O jornalismo contemporâneo sustenta-se na relação do jornalista com suas fontes: uma confiança “desconfiada” deve estabelecer-se entre o repórter e a pessoa ou documento escrito de onde ele capta a informação. O Novo Manual de Redação da Folha de S. Paulo chega a classificar quatro tipos de fontes.

A fonte tipo zero é escrita e com tradição de exatidão; a tipo um “é a mais confiável nos casos em que a fonte é uma pessoa”; a tipo dois “tem todos os atributos da fonte um, menos o histórico de confiabilidade”; e a tipo três é “a de menor confiabilidade. É bem informada, mas tem interesses (políticos, econômicos etc.) que tornam suas informações nitidamente menos confiáveis”.
Para a Folha, informações de fonte deste último tipo devem funcionar como ponto de partida para o trabalho ou, no máximo, ser publicadas em colunas de bastidores, ressaltando que se trata de informação não confirmada.

Mas independente da adoção desta classificação, uma das regras fundamentais, do ponto de vista ético, é a proteção das fontes: o jornalista nunca deve expô-las e tem o dever de protegê-las mesmo em caso de processo legal. Ao não agir assim, o repórter quebra um contrato tácito que existe entre ele e a fonte. Este acordo é o que tem permitido, desde o início do século XX – quando as fontes passam a ganhar importância central no jornalismo ocidental –, que inúmeras situações que, do ponto de vista de governos, instituições ou empresas privadas, deveriam ser mantidas em segredo, tornem-se públicas e desveladas aos cidadãos. Quebrá-lo pode significar, no mínimo, obstruir uma fonte significativa; no ponto mais extremo, retirar do jornalismo a sua capacidade de contribuir com a transparência dos negócios públicos e privados.

Um comentário:

SENSO CRÍTICO disse...

Muito boa iniciativa
temos um blog assim na cidade de Uberaba... no começo é muito difícil... espero que mantenham-se firmes!!