quinta-feira, 29 de maio de 2008

Veja e o antijornalismo

Por João José de Oliveira Negrão

O jornalista Luís Nassif criou um enorme burburinho nos meios jornalísticos brasileiros. Em seu blog, publicou – até agora – 21 reportagens sobre exemplos de antijornalismo da Veja, a revista semanal de informação, publicada pela editora Abril, que tem a maior tiragem no Brasil e é uma das que circula com o maior número de exemplares no mundo.

Em diferentes situações, Nassif mostra como a revista foi usada como arma em disputas empresariais, como na matéria “A guerra das cervejas”, no apoio aos interesses do discutido banqueiro Daniel Dantas ou em “O caso COC”, quando as críticas acerbas feitas ao caráter “subversivo” das apostilas produzidas por aquele sistema de ensino não contaram aos leitores que, pela aquisição relativamente recente de duas editoras, a Abril era concorrente direta da COC no rendoso segmento de apostilas para os cursos fundamental e médio.

Tanto a editora Abril quanto jornalistas citados abriram processos contra Nassif. De outro lado, muitos daqueles que concordam que a Veja pratica antijornalismo provocaram um fenômeno chamado google bomb: a reprodução dos textos e/ou a geração de links para o blog do jornalista.
Com isso, criou-se uma situação nova: um grande conglomerado editorial, que publica a revista brasileira com maior tiragem, entre dezenas de outros títulos, com braços também no mercado de livros, contra um jornalista que, apesar de famoso, conta com um blog e uma agência de notícias e artigos, a Dinheiro Vivo. É Davi contra Golias, mas a arena é nova e nada garante que, desta vez – como costuma acontecer – o mais forte vai levar a melhor. Até porque Nassif é um jornalista respeitado. Já a Veja e seus epígonos...

4 comentários:

Anderson Oliveira disse...

A visão do artigo, nesse caso, como diz o próprio autor repetidas vezes durante suas aulas, tem caráter um tanto simplista. Como na grande maioria da imprensa esquerdista, o jornalista vê os grandes meios como monstros capazes de destruir o mundo, destruir a utopia de Marx, tudo o que há de belo e sensato.
Não me admira ler os textos de Paulo Henrique Amorin, de Nassif, da Carta Capital, entre tantos outros, e encontrar elementos assim.

João José de Oliveira Negrão disse...

A esquerda costumava ser acusada de ver o mundo de forma maniqueísta. Haveria um "nós", os bons, e "eles", os maus. No entanto, desde a contra-revolução neoliberal, a velha direita liberal, que costumava produzir um pensamento e uma crítica mais complexa, foi substituída por fundamentalistas que retomam o maniqueísmo simplório do "eles", no caso a esquerda "atrasada", "petralha", "que não viu o Muro", e um "nós", "modernos", "não ideológicos". Os neocons brasileiros substituiram André Malraux por Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, com evidente perda de complexidade. Nassif, que não pode ser chamado de ultra-esquerdista, fez reportagens. Mas a direita costuma culpar a janela pela feiúra da paisagem.

Anderson Oliveira disse...

Há na imprensa nacional, talvez mundial - essa não acompanho - essa espécie de "guerrilha" de argumentos vazios, onde a esquerda luta contra um inimigo oculto (membros infiltrados no Governo e na mídia com o intuito nefasto de destruir o país), e a "direita" (como são chamados Mainardi, Olavo, Azevedo, etc.) luta contra a esquerda, a qual domina não apenas o governo, mas também a mídia.
Perde a sociedade que fica sem saber quem é Daniel Dantas, o que foi o mensalão, o que são cartões corporativos.
Vejo o dia em que a grande pauta de um jornal será o erro de pauta do jornal concorrente.

jholl disse...
Este comentário foi removido pelo autor.