domingo, 21 de junho de 2009

Retrocesso

Por João José de Oliveira Negrão

Lamentável sob vários aspectos a decisão do STF que extinguiu a necessidade do diploma em cursos superior específico para o exercício da profissão de jornalista. Existente há 40 anos, mas reivindicação de congressos da categoria desde 1918, a "lei do diploma" contribuiu para a melhoria do jornalismo brasileiro neste período.

Os que defendem a decisão de Gilmar Mendes – acompanhada por outros oito ministros-- costumam citar grandes nomes do passado, como Cláudio Abramo, Otto Lara Resende, Otávio Pena Branca e outros, como a comprovação empírica da não necessidade do diploma. Não citam, no entanto, a enorme quantidade de achacadores, "gansos" e ganhadores de "um por fora" que infestavam a profissão. Nem que a falta de qualificação fazia do jornalismo um bico, complementado com um emprego público sem concurso em departamentos, delegacias, câmaras parlamentares, em grande parte das vezes no mesmo setor em que o "repórter" era responsável pela cobertura.

O argumento da defesa da "liberdade de expressão" é risível e desqualificador de quem o esgrime. Nunca foi proibido a nenhum veículo contar com artigos e comentários de não diplomados em jornalismo. Se os setores de pensamento mais progressista aparecerem menos, a questão é política, não legal: a maioria dos meios é propriedade de segmentos conservadores.

Outro argumento descabido é o "corporativismo" dos jornalistas que, com a exigência do diploma, conformariam uma "reserva de mercado". Pois bem, sem a exigência, quem define agora quem pode ou não exercer a profissão é, majoritariamente, uma minoria de cerca de 10 a 15 famílias, que formam, estas sim, uma corporação que oligopoliza os veículos de comunicação brasileiros.

Quem perde, sem dúvida – mais até que a categoria dos jornalistas – é a sociedade, que vê em risco a pluralidade das informações.

Um comentário:

ana luz disse...

perde o jornalista. perde a sociedade. principalmente ela que agora mais do que nunca vai ter matérias sensacionalistas, duvidosas! pois uma pessoa sem conhecimento ético, sem conhecimento na área de jornalismo não sabe ao certo como pode e deve escrever. lastimável.