segunda-feira, 24 de maio de 2010

Dilma cresce

Por João José de Oliveira Negrão

Ontem (23/05) foi divulgada pesquisa eleitoral Datafolha, indicando empate entre Dilma Rousseff e José Serra, cada um com 37% das intenções de voto. Há cerca de um mês, segundo o mesmo instituto, a diferença de Serra para Dilma era de 12 pontos. Mais do que debater sobre os resultados de um ou de outro instituto, o interessante a analisar é que todas as pesquisas recentes – além da do Datafolha, a do Ibope, a do Vox Populi e a do Sensus – mostram a mesma tendência: a subida da candidata do governo e a queda do candidato da oposição.

A destacar também a intenção de voto espontânea, que, nesta altura da campanha, é um dos elementos mais importantes, pois traduz maior consolidação da intenção de voto: Dilma tem 19%, contra 14% de Serra. E outros 9% ainda escolhem “Lula”, “o candidato do Lula” ou “o candidato do PT”.

Assim, vai se configurando algo que já defendi aqui neste espaço: há significativo nível de racionalidade no voto. O colunista Mauricio Dias, da Carta Capital mostra por quê em artigo na edição mais recente da revista. Houve um “crescimento do PIB de 500 bilhões para 1 trilhão e 500 bilhões de dólares; reservas cambiais passaram de 35 bilhões para 240 bilhões de dólares; salário mínimo subiu de 80 para 280 dólares; o Índice de Gini foi de 0,58 para o,52, que traduz a melhora na distribuição de renda; o deslocamento de 30 milhões de pessoas das classes mais pobres para a classe média e outros 10,6 milhões deixando fisicamente as favelas, além do crescimento contínuo do emprego e da renda no País”.

Neste quadro, a tarefa do candidato de oposição é muito difícil.

João José de Oliveira Negrão é jornalista,
doutor em Ciências Sociais e professor no Ceunsp

(Publicado no Bom Dia Sorocaba de 24/05/2010)

3 comentários:

Anderson Oliveira disse...

Discordo...

A propaganda, todos sabem, toca no íntimo das pessoas, busca atingí-las pela emoção.

O voto jamais será racional. Aliás, é você quem está tentando racionalizar a subida de Dilma, embora saibamos que seu voto também não é racional - há o amor ao partido.

Anderson Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João José de Oliveira Negrão disse...

Há, sim, um nível de racionalidade no voto. O que não significa um "voto certo" definido a priori. Foi assim, p. ex., em 98, quando FHC conseguiu colar na candidatura Lula a imagem do abandono do Real e a volta da inflação. Frente a essa possibilidade, a maioria optou pela continuidade, o que era racional, mesmo que Lula, de "verdade", não significasse o retorno às políticas econômicas dos governos Sarney e Collor.
É neste sentido que falo em racionalidade. A propaganda política pode reforçá-la.