segunda-feira, 10 de maio de 2010

Escolarização é a saída

Por João José de Oliveira Negrão

O programa Bolsa-Família – que só em Sorocaba chega a 15 mil famílias, cerca de 10% do total – é frequentemente acusado de assistencialista, eleitoreiro, bolsa-esmola, populista e outros epítetos que o pensamento conservador costuma reservar para quaisquer políticas públicas voltadas aos mais pobres. Dizem que ele “acostuma” os beneficiários e os leva à indolência e à “vagabundagem”, já que não “precisam trabalhar”.

A realidade, no entanto, mostra o quanto estas críticas a priori são ideológicas no pior sentido do termo, preconceituosas no sentido literal, ou seja, um conceito previamente formulado. Do ponto de vista macroeconômico, o Bolsa-Família tem a capacidade de fazer girar a roda das economias locais. Apenas aqui em nossa cidade, cerca de um milhão de reais por mês entram no ciclo de consumo por conta do programa.
Outra crítica, pretensamente mais “sábia”, mas igualmente preconceituosa, é a de que o programa não apresenta porta de saída. Esta foi respondida no Estadão de ontem. Matéria do jornal, sob o título Bolsa-Família eleva aprovação escolar mostra pesquisa que indica que no ensino fundamental da rede pública, a média de aprovação das crianças beneficiárias é quase igual à das não beneficiárias (80,5% contra 82,3%) e no ensino médio é superior (81,1% entre os beneficiários e 72,6% nos demais). E o mais importante é a redução da evasão escolar, menor entre os beneficiários.

Esta é a porta de saída. A educação, aliada ao crescimento do emprego com carteira assinada e políticas de distribuição de renda, tem e terá a capacidade de continuar reduzindo a desigualdade no Brasil.
João José de Oliveira Negrão é jornalista,
doutor em Ciências Sociais e professor no Ceunsp
(Publicado no Bom Dia Sorocaba de 10/05/2010)

5 comentários:

Anderson Oliveira disse...

O saudoso Gama, e também seus correligionários, agradecem o elogio.

João José de Oliveira Negrão disse...

Quer dizer o quê??? Não entendi...

Anderson Oliveira disse...

Gama foi o tucano prefeito de Campinas, criador do projeto de distribuição de renda que foi levado ao Distrito Federal pelo então governador Cristovam Buarque. Posteriormente, FHC o implantou em nível nacional.

Hoje em dia, afirma-se que este projeto brotou das cabeças petistas. Como disse Goebbels, a mentira quando repetida muitas vezes torna-se verdade, e o Bolsa Família agora é uma criação do Governo Lula.

João José de Oliveira Negrão disse...

O Bolsa Escola, instalado em Campinas, era de fato bom. Quando adotado em nível nacional, perdeu parte de suas qualidades. O Bolsa Família, no entanto, é bem mais complexo e includente, vinculando-se não só à frequencia escolar, mas à prevenção da saúde e preparação profissional. Lembro também que José Roberto Magalhães, o Grama (não Gama), morreu em 1996, antes da conversão do PSDB ao neoliberalismo realmente existente. Tanto que ele e Covas -- ao contrário de alguns -- apoiaram decisivamente Lula no segundo turno de 89 e com sua gritaria evitaram que FHC integrasse o governo Collor.

Anderson Oliveira disse...

Oras...

mais uma vez neoliberalismo. Tá parecendo o Olavo de Carvalho das esquerdas.

Não há nada no PSDB que o alinhe ao egoísmo ético, à desregulação do mercado (vide o Banco Central, intervencionista). Não há no Brasil partido que defenda esse projeto.

Chamar o PSDB de neoliberal é fazer o mesmo com o próprio PT (o irmão mais velho, invejoso e imitador).

Sim, é Grama, fiz confusão.

Quanto ao FHC, sua vontade de integrar o governo Collor devia-se novamente ao seu anseio de colocar o Brasil no rumo certo.rs