segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eleição plebiscitária

Por João José de Oliveira Negrão

As eleições presidenciais de 2010 caminham para configurar-se como uma disputa efetiva entre apenas dois candidatos. Repetindo um fenômeno que está se tornando constante, brigam para valer apenas os presidenciáveis do PT, certamente a ministra Dilma Rousseff, e do PSDB, o governador paulista José Serra.

A cada pesquisa de intenções de votos, este cenário se reforça. A última foi realizada pelo instituto Vox Populi, encomendada pela TV Bandeirantes, e divulgada na noite de sexta-feira passada. Nela, Serra ainda mantém a liderança, mas vê a diferença se reduzir e Dilma reafirma sua tendência de subida. O tucano aparece com 34% das intenções de voto e a petista com 27%. Comparada com a pesquisa anterior do mesmo Vox Populi, Serra caiu cinco pontos percentuais (de 39 para 34) e a ministra subiu nove (de 18% para 27%).

Os demais candidatos ficam longe – e com tendência de queda. O deputado Ciro Gomes, aliado do governo Lula e cuja candidatura presidencial não vem conseguindo agregar partidos da base do governo, chega apenas a 11%. A senadora Marina Silva, que saiu do PT para ser candidata pelo PV – e agora está sendo deixada a ver navios pela principal liderança do seu partido, o deputado Fernando Gabeira, que se aliou aos tucanos, além de ver naufragar a eventual aliança com o PSOL de Heloísa Helena –, chega apenas a 6%.

Assim, como já ocorreu em 2008, 2004 e 2000, estarão de um lado as forças conservadoras, neoliberais e a grande mídia, unidas em torno de Serra, e as forças mais progressistas, democráticas e populares, aliadas a Dilma Rousseff. O problema é que, tanto uma quanto outra candidatura – pela falta de uma reforma política digna do nome – acabam tendo de carregar representantes da velha política que, embora nos estertores, ainda se recusa a morrer.

(Publicado no Bom Dia Sorocaba, de 01/02/2010)

5 comentários:

Anderson Oliveira disse...

"as forças mais progressistas, democráticas [...] aliadas a Dilma Rousseff?"

Quem são essas forças progressistas e democráticas?

De populares, podemos citar os movimentos estudantis, o MST, os sindicatos. Mas progressismo e democracia nunca foram pauta desses grupos.

A não ser que, por um desvio de semântica, progressistas e democratas se tornaram aqueles que apoiam Hugo Chaves (este que está fadado à derrota, denotando o ocaso esquerdista na AL).

João José de Oliveira Negrão disse...

As forças progressistas e democráticas são o PT, o PCdoB, o PDT, o PSB. As forças conservadoras são o DEM(PFL), o PSDB e o PPS. Os demais representam o que chamei de "estertores da velha política". O PMDB tem de tudo, de Requião a Quércia. E quem vive ocaso na América Latina é o neoliberalismo, que já teve um conjunto de governos capitaneados por FHC, Menem e Fujimori e hoje praticamente resume-se a Uribe, da Colômbia. A esquerda democrática está em pleno ascenso.

Anderson Oliveira disse...

Se PT e PCdoB são forças democráticas, não sei mais o significado dessa palavra.

PSDB e PPS forças conservadoras? FHC neoliberalista?

Explique melhor.

Esse desvario impetrado pelo PT não coopta o eleitor, é mera falácia.

Essa demonização do neoliberalismo assemelha-se à que é feita por Olavo, Reinaldo e outros tantos contra o socialismo.

No entanto, o que são neoliberalismo e socialismo? Parâmetros.

Agora FHC neoliberalista...

sem comentários.

João José de Oliveira Negrão disse...

No meu livro Para Conhecer o Neoliberalismo demonstro a quantidade de medidas do governo FHC, bem como as propostas apresentadas no livro Mãos A Obra -- com o programa do candidato -- que permitem qualificar FHC como mais um dos governantes do "neoliberalismo realmente existente". Há exemplares dele na biblioteca da Uniso. O PPS é sim uma força conservadora,linha auxiliar tucana. Veja quem são os integrantes da sigla.

Anderson Oliveira disse...

Professor,

tenho um artigo seu salvo no meu computador, o qual irá me ajudar num possível trabalho acerca dos últimos dois presidentes brasileiros.

Em contrapartida a "O governo FHC e o neoliberalismo", guardo também o artigo "A hegemonia neoliberal no governo LULA", do prof. Armando Boito Jr., da Unicamp.

Oras, devemos também tomar Lula como neoliberal?